10.11.05
Credo Político
Os últimos textos que aqui tenho publicado são comprovativos, julgo eu, do meu já «antigo» interesse por temas de índole social.
Sem embargo da sua discutível valia, o que relevo é a preocupação, pelo menos intelectual, que eles traduzem, por esses temas, numa pessoal tentativa de os compreender, para os poder julgar, dado que, obviamente, não disponho de poder para aplicar uma sequer das conclusões que considero já legítimo retirar desta reflexão entretanto empreendida.
Nas ideias, como alguns saberão, sempre fui liberal, mesmo quando, na mocidade, simpatizava com visões políticas mais arrojadas ou, talvez mais bem dito, radicais. Nunca me seduziu a interdição do exercício especulativo, mesmo de temas que, aparentemente, não reunissem interesse prático.
No plano sócio-económico, todavia, não sou liberal, nem neo-liberal, muito menos ultra-liberal, o que quer que tal signifique, nos dias de hoje, mas social-democrata, também com a dúbia interpretação que o termo presentemente possa suscitar.
Rejeito o pensamento económico e social dito moderno, ultra-liberal ou neo-liberal, porque, justamente, prezo demasiado a coesão das sociedades, pilar fundamental da nossa sã convivência colectiva, sem o que as ditas sociedades resvalam para condições de crescente egoísmo, que geram indiferença pela sorte dos demais cidadãos, não só dos economicamente mais fracos, como logo se pensa.
Daí nascerá – fatalmente – a progressiva quebra – perigosa – da solidariedade que deve existir nas nossas relações de interdependência social, para nosso próprio bem, que será, afinal, o sempre buscado comum e definitivo bem, incansavelmente imaginado e preconizado pelos pensadores de todos os tempos.
Sou a favor de um papel interventivo moderado, mas actuante, do Estado, como elemento regulador dos conflitos que resultam das diversas perspectivas, por vezes antagónicas, dos diferentes grupos interesses que naturalmente surgem na vida das sociedades.
Entendo que determinadas funções sociais, como a Defesa, a Segurança, o Ensino, a Saúde, devem caber, predominantemente ao Estado. O sector privado pode aqui intervir, mas apenas com função supletiva, nunca principal.
Julgo que a História, ao contrário dos seguidores de Fucuyama, está longe de ter chegado ao fim e tampouco acredito que a Democracia representativa, como nós a conhecemos actualmente, seja a forma última, final, de Governo a que possamos aspirar.
Aceito com naturalidade que as minhas opiniões sejam criticáveis, havidas até, para alguns, por superficiais ou mesmo erróneas, mas afianço que são genuínas, porque resultam da minha própria meditação sobre esses assuntos, reflectindo, com certeza, leituras e outras influências, que todos nós, ao longo da nossa vida, sofremos, desde logo, pelo simples facto de vivermos em sociedade.
Todas essas influências, no meu caso, permita-se-me a imodéstia, passam pelo crivo da consciência, naquela função eminentemente reflexiva que caracteriza a condição humana. Só depois, por maturação meditativa, elas se transformam em pensamento próprio.
Eis, em palavras singelas, uma espécie de descrição, acidental, porque não procurada, de um «processo de apreensão da realidade», do meu, pelo menos, com perdão dos filósofos que aqui me lerem, habitualmente ciosos do seu formalismo expositivo.
Le violà, assim mesmo dito, para usar uma expressão agora rememorada pelos convulsivos acontecimentos em terras gaulesas, que, de há quase uma quinzena de dias, a televisão nos despeja, em nossas casas, ante nossos estupefactos olhos.
AV_Lisboa, 10-11-2005
Sem embargo da sua discutível valia, o que relevo é a preocupação, pelo menos intelectual, que eles traduzem, por esses temas, numa pessoal tentativa de os compreender, para os poder julgar, dado que, obviamente, não disponho de poder para aplicar uma sequer das conclusões que considero já legítimo retirar desta reflexão entretanto empreendida.
Nas ideias, como alguns saberão, sempre fui liberal, mesmo quando, na mocidade, simpatizava com visões políticas mais arrojadas ou, talvez mais bem dito, radicais. Nunca me seduziu a interdição do exercício especulativo, mesmo de temas que, aparentemente, não reunissem interesse prático.
No plano sócio-económico, todavia, não sou liberal, nem neo-liberal, muito menos ultra-liberal, o que quer que tal signifique, nos dias de hoje, mas social-democrata, também com a dúbia interpretação que o termo presentemente possa suscitar.
Rejeito o pensamento económico e social dito moderno, ultra-liberal ou neo-liberal, porque, justamente, prezo demasiado a coesão das sociedades, pilar fundamental da nossa sã convivência colectiva, sem o que as ditas sociedades resvalam para condições de crescente egoísmo, que geram indiferença pela sorte dos demais cidadãos, não só dos economicamente mais fracos, como logo se pensa.
Daí nascerá – fatalmente – a progressiva quebra – perigosa – da solidariedade que deve existir nas nossas relações de interdependência social, para nosso próprio bem, que será, afinal, o sempre buscado comum e definitivo bem, incansavelmente imaginado e preconizado pelos pensadores de todos os tempos.
Sou a favor de um papel interventivo moderado, mas actuante, do Estado, como elemento regulador dos conflitos que resultam das diversas perspectivas, por vezes antagónicas, dos diferentes grupos interesses que naturalmente surgem na vida das sociedades.
Entendo que determinadas funções sociais, como a Defesa, a Segurança, o Ensino, a Saúde, devem caber, predominantemente ao Estado. O sector privado pode aqui intervir, mas apenas com função supletiva, nunca principal.
Julgo que a História, ao contrário dos seguidores de Fucuyama, está longe de ter chegado ao fim e tampouco acredito que a Democracia representativa, como nós a conhecemos actualmente, seja a forma última, final, de Governo a que possamos aspirar.
Aceito com naturalidade que as minhas opiniões sejam criticáveis, havidas até, para alguns, por superficiais ou mesmo erróneas, mas afianço que são genuínas, porque resultam da minha própria meditação sobre esses assuntos, reflectindo, com certeza, leituras e outras influências, que todos nós, ao longo da nossa vida, sofremos, desde logo, pelo simples facto de vivermos em sociedade.
Todas essas influências, no meu caso, permita-se-me a imodéstia, passam pelo crivo da consciência, naquela função eminentemente reflexiva que caracteriza a condição humana. Só depois, por maturação meditativa, elas se transformam em pensamento próprio.
Eis, em palavras singelas, uma espécie de descrição, acidental, porque não procurada, de um «processo de apreensão da realidade», do meu, pelo menos, com perdão dos filósofos que aqui me lerem, habitualmente ciosos do seu formalismo expositivo.
Le violà, assim mesmo dito, para usar uma expressão agora rememorada pelos convulsivos acontecimentos em terras gaulesas, que, de há quase uma quinzena de dias, a televisão nos despeja, em nossas casas, ante nossos estupefactos olhos.
AV_Lisboa, 10-11-2005
Comments:
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Parabéns pela forma clara como apresenta as suas ideias, mas também pelo seu valor e pela convicção que nelas põe. Depois de lermos fica-se com a sensação de que afinal é muito fácil, suspeito que não!
Sinto cada vez mais que o importante é fazer, fazer fazer; podem-se ter as melhores e as mais brilhantes ideias, se daí não houver consequências!
É pena, pois, que não tenha poder para aplicar as suas conclusões. Há que avançar e não esperar que apareça uma Organização irrepreensível que dê curso a essas conclusões. Isso, na prática, não existe
Parabéns ,pois
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Sinto cada vez mais que o importante é fazer, fazer fazer; podem-se ter as melhores e as mais brilhantes ideias, se daí não houver consequências!
É pena, pois, que não tenha poder para aplicar as suas conclusões. Há que avançar e não esperar que apareça uma Organização irrepreensível que dê curso a essas conclusões. Isso, na prática, não existe
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